O livro que conta os bastidores e emoções do longa metragem de Daniel Filho está em primeiro lugar na lista dos mais vendidos da semana. Marcel Souto Maior ocupa também o segundo lugar da lista com “As Vidas de Chico Xavier ” a biografia do médium que deu origem ao filme.
Fontes: Revista Veja, Folha de São Paulo, O Globo.
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“Não teve chuva, mandinga ou espírito travesso que pudesse impedir o caminho ladeira acima de “Chico Xavier”, o novo filme de Daniel Filho. A estreia, há uma semana, foi arrasadora, com quase 600 mil espectadores em apenas três dias, recorde dos últimos 15 anos do cinema brasileiro (o período que costumamos chamar de Retomada). Mas o resultado mais impressionante veio na noite de sexta-feira: 1 milhão de espectadores em apenas sete dias em cartaz.” (André Miranda – O Globo)
O elenco de “Chico Xavier” se reuniu na noite desta segunda-feira, no Shopping Downtown, na Barra da Tijuca, para assistir a pré-estreia da produção. Cássia Kiss, que vive Iara na trama, contou que gostou da polêmica que a figura de Chico provoca. “Estive com o Chico em 2002, no ano em que ele morreu, em Uberaba”, declarou. Segundo ela, este é um filme para quem gosta e para quem tem dúvida sobre o espiritismo. A global disse que o filho de sua personagem vai matar sem querer o filho de Cristiane Torloni. É através de Chico Xavier que é descoberto que o filho de Cássia não teve culpa.
Não é apenas no filme que a atriz entrou em contato com a religião. Na próxima novela das seis, “Escrito nas estrelas”, de Elizabeth Jhin, da “TV Globo”, ela viverá Francisca, mulher de Ricardo (Humberto Martins), que morreu em condições trágicas, que aparecerá como espírito. “Quando a gente desencarna é mais feliz, fica livre do salto alto e das mentiras. Minha personagem é uma mulher feliz no plano espiritual”, revelou Cássia, que é frequentadora de um centro espírita.
Filme mudou a vida dos atores
Cristiane Torloni, que não conheceu o Chico, afirma que é uma espiritualista. “Não vi o filme ainda, vou ver pela primeira vez hoje. É um filme que fala do bem”, comentou a atriz, que disse, ainda, que a equipe esteve protegida o tempo todo nos sets de filmagem. A atriz também falou sobre o lado divertido do filme. “A fé não exclui o humor. Jesus não transformou água em vinho? Então, ele devia ter muito bom humor”, brincou Torloni.
Giovanna Antonelli revelou que viu o filme pela primeira vez. “Achei lindo e emocionante. Chorei e fiquei sorrindo durante a exibição”, disse a atriz, que não quis falar sobre a novela “Viver a vida” e nem da sua gravidez. No filme, ela faz a madrasta de Chico Xavier.
Giulia Gam, que vive Rita, tia de Chico, achou difícil tratar mal o protagonista. “Ele tem uma história muito importante e é muito polêmico. O filme vai causar reações contra e a favor”, afirmou.
Angelo Antônio, que vive Chico Xavier mais novo, confessou que filmar o longa mexeu com ele profundamente, mas não mudou sua percepção religiosa. “Mesmo assim eu aprendi muito e o filme me levou para outro estágio de vida. Não sou espírita, nem me tornei, mas não sou mais o mesmo depois do filme”, disse.
Nelson Xavier, intérprete de Chico mais velho, contou que antes do filme era ateu e que para ele, o filme era apenas a história de um homem espetacular. “Chico me fez acreditar não só em Deus, mas principalmente no amor”.
Muitos artistas estiveram na pré-estreia para prestigiar a produção de Daniel Filho. A atriz Letícia Spiller, a Betina de “Viver a vida” falou que não conhece muito bem a história do medium. “Vou conhecer melhor o Chico agora. Acredito numa experiência do bem”, declarou a bela, que está em dupla participação no longa “Casamento de Goreti”, como produtora e atriz.
Fonte: SRZD Cinema

Em Junho de 2009 Daniel Filho reuniu o elenco completo
de Chico Xavier numa casa na Gávea para leitura do roteiro.
As filmagens de Chico Xavier se encerraram no sábado, 22 de agosto, em Uberaba, Minas Gerais. Embora o fim do set tenha sido celebrado no Rio, com todos os integrantes da equipe, a última cena foi mesmo rodada na cidade que acolheu Chico, deu ao médium respeito e reconhecimento nacional e que abriga seu corpo. Pela reação dos uberabenses que atenderam ao convite da produção, lotaram as imediações da Casa da Prece e reagiram emocionados à visão de Nelson Xavier como o personagem, Chico Xavier continua presente como nunca em Uberaba.
Como homenagem ao encerramento do filme, este blog tem, hoje, um convidado muito especial. O jornalista Marcel Souto Maior, que escreveu a biografia As vidas de Chico Xavier – que deu origem ao roteiro de Marcos Bernstein –, estava presente e assistiu ao último dia de filmagem. E escreveu, especialmente para os leitores deste blog, um texto sobre esse encontro emocionante.

Chico de Volta
Marcel Souto Maior
Dez horas da manhã de um sábado ensolarado e as ruas em frente à Casa da Prece – o centro de Chico em Uberaba – já estão tomadas de gente. Mulheres de vestido estampado, com chale nos ombros e lenço na cabeça, se misturam a homens de camisa xadrez ou listrada. Alguns usam sombrinhas ou chapéus de palha para se proteger do sol. Estamos de volta aos anos 1970, entre ônibus antigos e velhos amigos de Chico.
Este é o último dia de filmagem de Chico Xavier. Oito semanas depois do primeiro pedido de silêncio e do primeiro grito de ação no set, a equipe comandada por Daniel Filho se prepara para reproduzir uma cena que se repetia, todos os sábados, naquela mesma rua, diante da mesma casa simples: a chegada de multidões vindas de todos os cantos do país, em caravanas, para ver Chico, receber mensagens do além, beijar sua mão e ter a mão beijada por ele.
A população de Uberaba foi convocada para entrar em cena e um galpão, ao lado do centro, se transformou em camarim para a multidão de figurantes. Dona Augusta, Francisca, Rosário, cada uma guarda uma lembrança feliz do “Tio Chico”. “Ele me ajudou a criar três filhos”. “Ele doava roupa, colchão, enxoval completo pra gente. Tudo novo.” “Tio Chico não vai morrer pra nós.” Os depoimentos se repetem.

Nelson Xavier, como Chico, recebe flores e o carinho da população de Uberaba presente à filmagem, através desta senhora que, emocionada, conversou com o ator (fotos de Ique Esteves)
Antes do início da filmagem, dois jornalistas, de duas gerações diferentes, se encontram com Daniel Filho e Eurípedes, o filho adotivo de Chico, nos jardins floridos da Casa da Prece: Saulo Gomes – que tornou Chico uma celebridade nacional ao conduzir duas entrevistas com o médium no Pinga-Fogo, nos anos 1970 – e este jornalista que vos escreve e que, há exatos 15 anos, desembarcou neste mesmo lugar, cético à beça, para escrever uma biografia jornalística de Chico, As vidas de Chico Xavier…
Daniel festeja o reencontro com Saulo, velho companheiro de reportagem nos tempos da TV Tupi. Eles chegaram a transmitir juntos desfiles de carnaval direto da Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro. “A gente entrevistava até poste porque as transmissões não tinham hora pra acabar”, lembra Daniel. Saulo – que não aparenta ter seus 81 anos – viajou de carro mais de 350 quilômetros para estar ali. “Não podia perder este dia por nada.” Ele observa a multidão e se impressiona com o que vê. “ Era assim, exatamente assim, que as ruas ficavam nos tempos de Chico”.

Da esquerda para a direita, Marcel Souto Maior, Eurípedes (filho adotivo de Chico Xavier), o jornalista Saulo Gomes e Daniel Filho
Um Nelson Xavier de olhos marejados e voz embargada grava a primeira cena do dia. Diante da mãe que busca mensagens do filho morto, diz uma das frases repetidas várias vezes pelo médium ao longo de sua vida: “O telefone só toca de lá pra cá…”. Na cena, seguinte Chico, ou melhor, Nelson, se senta no banco do jardim, entre suas roseiras, e folheia um dos 412 livros psicografados por ele: Busca e acharás, de André Luiz. Duas borboletas entram em quadro e enfeitam a cena. “Nelson está muito, muito parecido com Chico”, diz Eurípedes.
É como se sete anos depois da morte, o pai estivesse de volta.

Nelson no jardim de rosas de Chico Xavier na Casa da Prece
E chega o momento da segunda etapa das filmagens. O cenário agora é o refeitório fundado por Chico a dois quarteirões da Casa da Prece. Uma longa fila de “necessitados” se posiciona para receber pão e sopa pelas mãos de Nelson. Figurantes se misturam a freqüentadores reais destas distribuições que ainda acontecem toda semana. Uma das figurantes se emociona de verdade e desaba numa crise de choro. “Fiquei lembrando dele. É uma honra imensa poder fazer esta homenagem ao Chico. Tô muito, muito emocionada.”
Mas o momento mais emocionante ainda vai começar. Às 15 horas, a multidão convocada pelo rádio e pela TV ao longo da semana se aglomera diante da Casa da Prece para as filmagens da última sequência. Chico Xavier vai chegar, de Veraneio, acompanhado de sua amiga Cleide (Rosi Campos), vai acenar para a multidão e entrar no centro. Só isso.
Chico de volta…
A diretora-assistente Cris D’Amato e o produtor-executivo Julio Uchoa se revezam no microfone para comandar a massa através dos alto-falantes posicionados na rua. “Calma, gente… Não corram… Não empurrem. Abaixa esta sombrinha, por favor… Tirem os bonés, pelo amor de Deus. Chico está chegando… Ele tá vindo…”
Do alto de um carro de som, Daniel confere o quadro, checa as lentes e dá o ok.

A câmera posicionada no guindaste, a população que serviu de figuração para a cena diante da Casa da Prece e o carro de som, de onde a diretora-assistente Cris D’Amato e o produtor-executivo Julio Uchôa ‘comandavam’ a massa e Daniel conferia a cena
Chico chega com seus óculos escuros, o sorriso tímido, os gestos suaves. Desce do carro cercado pela multidão, acena e sorri para todos, como nos velhos tempos.
Nelson entra na casa e, quando sai de quadro, longe das câmeras, tem uma crise de choro. Em seguida, vai para o jardim, se senta sozinho num dos bancos e, talvez sem saber, faz o que Chico costumava fazer ali mesmo: apóia as mãos sobre as pernas e olha para o céu.
As filmagens lá fora, com os figurantes, ainda não terminaram quando Nelson faz um pedido: quer raspar o cabelo. Pedido feito e atendido na hora. A cabelereira Glória Maria cobre seus ombros com uma toalha vermelha e Nelson, já de roupão azul, começa a se despedir de seu personagem mais querido – o único que pediu para fazer na vida.
Os cabelos caem no chão da varanda da Casa da Prece e Eurípedes observa à distância. Nelson fecha os olhos mais uma vez e – de novo – posiciona as mãos sobre os joelhos. Vai assim até o fim, enquanto a equipe grava o último take do filme: uma imagem do jardim repleto de rosas plantadas por Chico.

A cabeleireira Glória Maria atende ao pedido de Nelson Xavier e raspa seu cabelo após a última cena
São 17h20 em ponto, quando Daniel dá o grito final: “Pronto. Agora acabou.”
Aplausos, abraços, a equipe festeja. Daniel entrega as últimas flores para Nelson, Rosi e para Guilherme Bernard, que viveu Eurípedes. “Obrigado. Muito obrigado a todos vocês.”
E todos agradecem de volta…
Daniel sai do centro e logo é cercado por câmeras e celulares. Sem pressa, distribui autógrafos e sorrisos e agradece a cada um pela participação no filme. O cronograma foi cumprido à risca, sem um minuto de atraso.
Julio Uchôa abraça cada integrante da equipe enquanto repete algumas de suas frases já clássicas, com o entusiasmo habitual: “Maior prazer. Um arraso.”
E foi mesmo.
Nelson Xavier resume com as seguintes palavras esta sua experiência:
Arrasador.
Arrebatador.
E encerra:
“Eu me sinto pleno.”
Último dia de filmagem de Chico Xavier. Embora amanhã ainda sejam feitas algumas tomadas de detalhes, e no próximo sábado aconteça a filmagem em Uberaba, este é, oficialmente, o último encontro da equipe com o mundo do médium.
As 177 pessoas que percorreram diretamente a vida de Chico Xavier, da infância à maturidade, hoje se despedem deste personagem. Foram dois meses intensos, em que se viajou no tempo (de 1918 a 1975) e no espaço (da Pedro Leopoldo da meninice de Chico à São Paulo do Pinga-Fogo, passando por Uberaba, onde Chico firmou-se como o maior médium do país).
Hoje, esta trupe chega ao estúdio Herbert Richers em um clima diferente. Último dia também é dia de trabalho – mas as pessoas vão chegando com um misto de cansaço, alegria pelo que foi realizado e tristeza pelo encerramento. Daniel, ao entrar no set, expressa isso: “Hoje vamos rodar do jeito que der! Se a câmera falhar, vamos rodar com o celular! É hoje só… amanhã não tem mais!”.

A equipe de ‘Chico Xavier’ (e ainda faltaram alguns integrantes!..) celebra a realização do trabalho reunida em torno do diretor Daniel Filho e dos três Chicos: Matheus Costa, Ângelo Antônio e Nelson Xavier (fotos de Ique Esteves)
Enquanto o switcher da “TV Tupi” era desmontado no estúdio A, a equipe filma no estúdio B, onde foi montada mais uma das invenções do mestre Vô Du, que recriou o interior de um avião em cima de mais uma de suas traquitanas. A ordem é: chacoalhar, remexer, tremer. E quem está em cima do praticável é Chico (Nelson Xavier), Cleide (Rosi Campos), Emmanuel (André Dias) e os “passageiros” Fábio Porchat e Ailton Graça, que volta ao estúdio e faz jus ao sobrenome, trazendo alegria e descontração a este último dia. Além de 27 figurantes.
Destes, voltam às poltronas do avião os “passageiros” Ique Esteves (still do filme), Rita Vianna (assistente de figurino), Rose Verçosa (maquiadora), Patricia Paladino (autora do blog), Gil Barone (do making of) e Paulo Barcellos (responsável pelos efeitos visuais). O quinteto reassume seus “personagens” e passa o dia sacolejando na traquitana de Vô Du. A descontração com que as cenas eram rodadas contagiou todo o estúdio. Daniel divertia-se a cada “corta!”, tanto com a cena como com a interpretação de Ailton.
Para se ter uma idéia de como o chefe da maquinária cria essas suas mirabolantes invenções, Vô Du conta uma história: ele estava indo para Paulínia – onde o filme foi rodado por duas semanas –, em um vôo que fez Rio-Campinas via Curitiba. “Pois então: perto de Curitiba o avião entrou em uma forte turbulência. Enquanto todo mundo estava apavorado, alguns rezavam, eu fui lá pro fundo da aeronave pra ver como ela se comportava nessa situação. Nem senti medo. Queria era elementos pra reproduzir exatamente aquilo no estúdio…”, diz Vô Du. Sua traquitana funciona perfeitamente. E ele não conta como foi construída de jeito nenhum. É segredo profissional. Só o resultado será visto na tela, mas como foi feito – nada feito!…

A equipe de câmera: da esquerda para a direita, o foquista Jorginho, o diretor de fotografia Nonato Estrela, o câmera Gil Otero, o segundo assistente Tiago Rivaldo, a foquista Silvia Gangemi, o câmera Daniel Duran, e, sentados, o responsável pelo Video Assist Gabriel Santucci e o segundo assistente Daniel Xavier. Eles pilotaram as duas REDs durante todo o filme! Na foto só faltou o gerente de imagem digital Miguel Lindenberg…
A filmagem entra pela noite. Mas ninguém parece cansado. Após uma pausa para um lanche – em que toda a equipe cantou Parabéns pra você para Anita Barbosa e Tatiana Fragoso, as assistentes de direção que aniversariam no mesmo dia –, a última cena de Ailton é filmada, e Daniel agradece com muito entusiasmo sua participação.
E então, a partir daí, começam as despedidas. No meio do ensaio de uma das cenas chega o táxi que vai levar Cynthia Falabella ao aeroporto. Ela chega perto de Daniel e o abraça. Pouco depois, é a vez da última cena de André Dias, que viveu, em todas as fases do filme, o guia espiritual de Chico. O diretor o recebe com o tradicional buquê de flores, um abraço e a piada: “Volte agora ao mundo dos encarnados, André!”.

O produtor-executivo Julio Uchôa, a coordenadora de mídias digitais Olivia Byington e o diretor de produção Luiz Henrique Fonseca comemoram com o diretor de ‘Chico Xavier’
Então a última cena é rodada. E quando Daniel grita seu último “corta!”, o costumeiro aplauso da equipe ao final de cada dia de trabalho foi mais longo. “Embora a gente ainda tenha a filmagem em Uberaba, apenas uma pequena parte dessa nossa equipe seguirá pra lá. Em meu nome, e em nome de Chico, se é que eu posso me aventurar a falar em nome dele, eu queria agradecer a dedicação de todo mundo, o empenho de todos, o clima maravilhoso que tivemos durante esses dois meses. Existiram tropeços, mas se não existissem, não seria um filme. Muito obrigado, muito obrigado a todos!”, encerra o set Daniel Filho.

Daniel e sua equipe: da esquerda para a direita, Paula Horta (coordenadora de direção), Cris D’ Amato (diretora-assistente), Tatiana Fragoso (1ª assistente de direção), Natália Soutto (estagiária), Bruno Garotti (2º assistente de direção) e Anita Barbosa (2ª assistente de direção e coordenadora de elenco)
Fotos são tiradas, abraços de despedida são trocados. Até um filminho foi feito: o assistente de platô Juninho pede a Daniel que dê um pequeno depoimento para sua mãe e grava no celular. O diretor abraça Bia Salgado, a figurinista de Chico Xavier: “Obrigado, obrigado. Foi lindo o seu trabalho, fiquei muito satisfeito. Só não fiquei mais feliz porque você não aparece no filme!”, brinca, referindo-se a todas as “participações amorosas” que estarão em algum pedacinho da história. Depois, Daniel abraça os técnicos de som portugueses Carlos Alberto Lopes e seu assistente Ricardo Sequeira, que vieram especialmente integrar a trupe e retornam amanhã para Lisboa. Abraça Chicão, chefe do platô e que segurou o set durante todo o filme. Abraça Vô Du, o inventor de traquitanas – e tira uma animada foto com o “pessoal da pesada”, que fez este avião voar durante dois meses.
E, aos poucos, um a um vai entrando nas vans da produção e voltando para casa…

E com Nelson Xavier, que deu vida à fase madura de Chico: o agradecimento do diretor pelo trabalho e pela entrega ao personagem
PS!! Ainda teremos um encontro com o mundo de Chico Xavier neste blog após as filmagens em Uberaba, no sábado. Mas como o set foi encerrado oficialmente hoje, também celebramos, com um presente para os leitores que acompanharam os bastidores através do blog.
A seguir, foram listadas cinco perguntas relacionadas às filmagens e todas sobre fatos publicados no blog. Os cinco primeiros leitores que acertarem todas as perguntas – que podem ser respondidas na seção de comentários deste post – ganharão duas camisetas do filme. Mas atenção: só vale se todas as respostas estiverem corretas. E para os cinco primeiros que postarem! Vamos lá:
1. Como é o nome do personagem da filha do ator Carlos Vereza?
2. Qual foi a primeira locação de Chico Xavier?
3. Quem atuou com pianista de bordel no filme?
4. Como se chama o motorista do diretor do filme?
5. Quem foi chamado por este blog de Professor Pardal?
Os ganhadores receberão um e-mail da produção, que enviará as camisetas.
Hoje é o penúltimo dia de filmagem – fora a seqüência de Uberaba – mas o clima está longe de ser “fim de festa”. Ainda há muito trabalho a fazer: hoje são 37 seqüências a serem rodadas no cenário que reproduz os corredores e o switcher da TV Tupi. Em cena, Tony Ramos, Cadu Fávero e Pablo Sanábio, além de Nelson Xavier e Rosi Campos, que filmam apenas uma cena. O resto é do trio Tony-Cadu-Pablo, que forma a equipe técnica do Pinga-Fogo.
Tony Ramos chega ao estúdio Herbert Richers simpático como sempre, brinca com a diretora-assistente Cris D`Amato e recebe com bom humor a brincadeira da assistente de direção Anita Barbosa: “Veio de moto, Tony?”, pergunta Anita, por causa do (des)penteado do ator. “Minha querida, gel só na novela!”, rebate ele.

Tony Ramos, Cadu Fávaro, Daniel e Cris no switcher da Tupi cenográfica (fotos de Ique Esteves)
Assim que atores, equipe técnica e figurantes chegam ao set, é servido um bom café da manhã – seja o set aonde for. Pois hoje pela manhã, Nelson Xavier tomava seu café sozinho em uma mesa. Quando alguém pergunta qual a expectativa de nosso Chico Xavier para a seqüência de Uberaba – que reunirá a população da cidade em torno dele –, o ator responde: “Estou muito animado e ansioso. Não sei quantas pessoas esperar, mas com certeza vai ser muita emoção pra mim”, confessa.
Nelson deu hoje um longo – e emocionado – depoimento a Gil Baroni, para o making of do filme. Falou sobre quando o autor de As vidas de Chico Xavier lhe enviou o livro com um bilhete, em que expressava o desejo de que ele encarnasse o personagem; sobre o posterior pedido que fez a Daniel (“Se você for realmente rodar este filme, e me quiser, eu me ofereço para ser Chico Xavier”); sobre como Chico o arrebatou profundamente e mudou a sua maneira de ver o mundo (“E é um caminho sem volta”); e sobre o legado que Chico Xavier deixou para o mundo. “O que mais me parece significativo é que Chico encarnou realmente o tal do `amai-vos uns aos outros como a vós mesmos`. Pra mim ele é um santo pois viveu o amor ao próximo por toda a vida, que é a coisa mais difícil do mundo.” Em muitos momentos do depoimento, Nelson se emocionou. E em dois deles, chegou às lágrimas. No making of do filme isso certamente estará presente…
Logo após o almoço, quem desceu primeiro se deparou com uma situação inusitada: na entrada do estúdio A da Herbert Richers, há um grande quadro com todas as cenas do filme. À medida que elas vão sendo rodadas, cada cena é pintada por uma faixa azul. Pois hoje era Daniel quem estava diante do quadro, riscando as últimas cenas. Estava ali sozinho – mas foi flagrado por quem passava, em uma cena que beirou o lúdico: era o comandante de uma equipe de 177 pessoas diante do que realizaram, em dois meses de muito empenho. Várias câmeras fotográficas (profissionais ou não) registraram este momento.

Daniel e o quadro com as cenas que já foram filmadas, que iam sendo riscadas de azul. Hoje foi Daniel quem riscou as últimas cenas
Todas as cenas riscadas em azul já estão com a montadora Diana Vasconcellos – que hoje esteve no set para mixar um áudio que servirá como um guia para Tony Ramos em muitas das seqüências. Diana vem trabalhando na montagem desde o segundo dia de filmagem. “Para otimizar o tempo, já que ele será curto para o trabalho que temos pela frente, trabalhei paralelamente às filmagens. Duas semanas após rodar a última cena, já teremos o primeiro corte”, explica Diana. Primeiro corte é o filme montado, mas ainda sem muitos dos efeitos visuais e de som. É como um primeiro tratamento, que será posteriormente lapidado por Diana e Daniel, até que se chegue ao resultado esperado.
Atualmente – além da equipe de 70 pessoas da O2 Pós Produção, que faz os efeitos visuais – trabalham na finalização de Chico Xavier, na Lereby Produções, Diana e dois assistentes na montagem; cinco editores de som, mais um mixador e a equipe de foley – que insere todo ruído complementar necessário como passos caminhando ou vozerio de multidão, por exemplo.

Diana e Sílvia Ramos no set: a montadora já vem trabalhando desde o segundo dia de filmagem e hoje esteve no estúdio Herbert Richers para mixar um diálogo para a cena
Todas as cenas se passam entre os corredores da Tupi e a sala de corte do Pinga-Fogo. Além de Tony, Cadu e Pablo, há mais uma participação especial no switcher: o assistente de figurino Alex Brollo, que intrepreta um sonoplasta. Uma das pessoas mais engraçadas e bem-humoradas da equipe, Alex, após a primeira cena, é alvo de brincadeiras de todos. Principalmente de Daniel: “Excelente, Alex! Muito bom mesmo!”, gerando risos no set. “Pode se gabar e dizer: `não só fiquei em cena todo o tempo como tenho cenário!`”, diz Daniel. O figurinista/sonoplasta não se fez de rogado e entrou na brincadeira. “Bem, equipe, quero minhas flores ao final, já que me despeço hoje do filme…”. E mais gargalhadas.

O impagável Alex Brollo com Tony Ramos: Alex improvisou um gesto em cena que foi aproveitado por Daniel. E, ao final, provocou risos no set ao `despedir-se` do filme
Mas quem recebeu as flores foi Tony Ramos e Cadu Fávaro, que encerraram a participação no filme. “A câmera rodou? Tudo certo? Então agora só falta eu agradecer a Cadu e Tony pela participação neste filme!”, encerra o set Daniel. Horas antes, Pablo Sanábio também deu adeus a Chico Xavier.
Apesar do grande volume de cenas rodadas – e do set ter sido encerrado às 23h50, um recorde desde o início das filmagens – o clima esteve descontraído, leve, como uma festa mesmo. E havia razão: as assistentes de direção Anita Barbosa e Tatiana Fragoso fazem aniversário no mesmo dia: 17 de agosto. E a equipe esperou dar meia-noite para cantar Parabéns pras duas. Festa! Que, embora esteja perto do fim, continua bem animada…
De volta ao Pinga-Fogo – mas desta vez com platéia. Se ontem as cenas se restringiram a planos mais fechados nos atores no palco, hoje 111 figurantes ocupam as poltronas da TV Tupi cenográfica para ouvir as palavras de Chico.
Também na platéia – mas lá no fundo, onde foi posicionado o Video Assist com os seis monitores, como ontem – alguém ouve atentamente Nelson/Chico responder às perguntas do `apresentador` Paulo Goulart. É o jornalista Marcel Souto Maior, que escreveu a biografia As vidas de Chico Xavier, que deu origem ao filme.
Pela primeira vez Marcel vê em ação o que escreveu há 15 anos. Ao chegar à ABI, o produtor-executivo Julio Uchôa lhe mostra o teaser feito para a secretaria de Cultura de Paulínia, um pequeno filme com algumas cenas de Chico Xavier. “Fiquei impressionado. É uma saga, mas acima de tudo tem o tom de um thriller, que mostra Chico rodeado de desconfiança e descrença por todos os lados”, diz Marcel, que, por ter lido todos os tratamentos do roteiro, já tinha uma idéia de que esta seria a visão impressa na tela. “Mesmo assim, fiquei deslumbrado. Eu sempre vi o Chico como esse homem na contra-mão do mundo; um Chico acuado em muitos momentos, mas que enfrenta a descrença e vai até o fim.”

O jornalista Marcel Souto Maior, autor do livro `As vidas de Chico Xavier`, que deu origem ao roteiro do filme, conversa com Daniel em sua visita ao set (fotos de Ique Esteves)
Outra coisa que impressionou o autor da biografia foi a ausência de “discursos edificantes” nas cenas que viu. “O filme não é doutrinário, o que é uma bela visão. O roteiro é ótimo, interpretado por atores incríveis e filmado lindamente. Tenho certeza de que vai agradar a quem tem fé, a quem não tem fé, a quem quer ter fé…”, finaliza e, após assistir a algumas seqüências do Pinga-Fogo, Marcel se despede de Daniel presenteando o diretor com seus livros.
O dia será cheio, como foi o de ontem. Além de algumas cenas pendentes do dia anterior, são mais 20 hoje. Com os figurantes, fica sempre mais complicado. Mas Daniel descontrai, subindo ao palco para explicar a cena. E contar algumas histórias para relaxar o ambiente. Como quando perguntou a religião da platéia. Se havia seguidores de várias – católicos, evangélicos, judeus, uma budista –, a maioria era de espíritas. E todos riram quando Daniel afirmou ser ateu…
Só que os figurantes ficaram descontraídos demais. Em um pequeno intervalo entre um plano e outro, muitos se levantam para ir ao foyer do auditório, fazendo barulho e movimento desnecessário. E levam bronca – assim como quem ainda continua andando durante o ensaio…
Pela manhã, no Video Assist, o diretor de imagem Cassiano Filho, que ontem comandou pelos três monitores as antigas câmeras RCA, sentiu-se indisposto e teve que se retirar. Quem o substituiu? Ele mesmo: Daniel. De volta aos tempos de TV. Mesmo à tarde, ao retornar ao set já recuperado, Cassiano assistiu à performance do `diretor de imagem` Daniel Filho em uma seqüência.
O set também recebeu hoje uma visita especial: Sofia, 17 anos, um dos quatro filhos de Nelson Xavier. Ela chegou de manhã, almoçou com Nelson e a equipe e, como ninguém escapa, foi convidada a participar da platéia do Pinga-Fogo. E em lugar de honra: ao lado de Christiane Torloni, na terceira fila – de onde assistiu bem de perto a todas as cenas do pai.
E mais participações amorosas: na platéia, Clara Beatriz Monsores de Mattos, de 13 anos, filha do chefe da elétrica Anderson Cabeça, divertiu-se fazendo figuração. E a primeira assistente de direção Tatiana Fragoso também sentou-se ao lado de Christiane Torloni e foi bem enquadrada pela câmera de Gil Otero. A atriz, aliás, despediu-se de sua Glória e do filme com esta cena. E recebeu as flores e os agradecimentos do diretor (“Dona Christiane Torloni encerra a participação em nosso filme… Muito obrigado!”, diz Daniel ao entregar as rosas vermelhas) com direito a platéia: os mais de 100 figurantes e toda a equipe aplaudiram muito sua despedida.

A primeira assistente de direção Tatiana Fragoso em participação amorosa na platéia do ‘Pinga-Fogo’, ao lado de Christiane Torloni. Ao fundo, Sofia, a filha de Nelson Xavier, que assistiu de camarote a performance do pai
Também deixam o filme hoje o `apresentador` Paulo Goulart e os `entrevistadores` da mesa do programa: Glaucia Rodrigues, Thelmo Fernandes, Luis Serra, Daniel Jaimovich e Pablo Sanábio.
E enquanto as cenas rolam dentro do auditório, no saguão o movimento é outro. São os camareiros e assistentes de figurino, maquiagem e cabelo, além do pessoal do catering com sua mesa de café e guloseimas. E, ao fundo, a produção continua trabalhando: Luiz Henrique Fonseca, Mariana Vianna e Renato Pimentel estão a todo vapor finalizando os preparativos para as filmagens em Uberaba, na próxima semana, e listando o que é necessário para a produtora Fernanda Senatori , que já está na cidade mineira, providenciar amanhã.

Renato Pimentel, Mariana Vianna e Luiz Henrique Fonseca finalizam os preparativos para a filmagem em Uberaba, que acontece no próximo sábado
Luiz Henrique também confere a divulgação que será feita pelas rádios e jornais de Uberaba, convocando a população para a filmagem, no próximo sábado, 22, a partir das 14h30, em frente à Casa da Prece. “Estamos enfatizando que quem quiser pode aparecer, mas precisa ter alguns cuidados com o figurino: deve usar a roupa mais neutra possível, sem estampas, não usar tênis nem acessórios modernos”, esclarece o produtor. Outra coisa importante: não se pode levar câmeras digitais ou celulares. Camisa xadrez para os homens e vestidos floridos para as mulheres valem… O importante é ter muita gente homenageando Chico Xavier!